Calcular juros compostos
Juros compostos são os juros que rendem juros: cada real ganho fica dentro da aplicação e passa a trabalhar por conta própria. A fórmula cabe em uma linha, A = P(1 + r/n)nt, e a calculadora abaixo faz essa conta para você. Informe o capital inicial, a taxa anual e o prazo, acrescente um aporte mensal se você guarda dinheiro com regularidade, e o montante final aparece na hora. Os valores aparecem em reais, mas a conta é idêntica em qualquer moeda: basta ler cada cifra na sua. Nada é enviado para servidor nenhum — o cálculo roda no seu próprio navegador.
R$ 10.000 a diferentes taxas e prazos
Tabela de crescimento ano a ano
| Ano | Saldo | Juros do ano | Total aportado |
|---|
Juros compostos e juros simples lado a lado
Com a mesma taxa, em — anos os juros compostos fazem o capital crescer — a mais do que os juros simples. Os juros simples incidem apenas sobre o capital inicial; os compostos incidem também sobre todos os juros já acumulados.
Em quanto tempo o seu dinheiro dobra?
Com uma taxa de —% ao ano, o capital dobra aproximadamente a cada — anos (72 ÷ taxa = tempo de duplicação).
Como calcular juros compostos passo a passo
Se você chegou aqui procurando “como calcular juros compostos” ou só queria conferir a proposta que o gerente mandou pelo WhatsApp, o método é o mesmo e cabe em quatro gestos. Vamos a um caso concreto: R$ 10.000 de capital inicial, uma taxa de 5% ao ano, um prazo de 15 anos, capitalização mensal e um aporte mensal de R$ 200.
- Passe a taxa para decimal e para o período. 5% ao ano vira 0,05 e depois se divide por 12: 0,05 ÷ 12 = 0,0041667 ao mês. O fator de crescimento de cada mês é, portanto, 1,0041667.
- Conte os períodos. São 12 capitalizações por ano durante 15 anos, ou seja, n × t = 180 períodos.
- Faça o capital inicial crescer. R$ 10.000 × 1,0041667180 = R$ 21.137,04. O dinheiro de partida mais que dobrou sem que você tivesse acrescentado nada.
- Some o valor futuro dos aportes. R$ 200 × (1,0041667180 − 1) ÷ 0,0041667 = R$ 53.457,79. Cada aporte foi capitalizado a partir do mês em que entrou, então os mais antigos tiveram mais tempo para render.
Total: R$ 74.594,83 ao fim dos 15 anos. Do seu bolso saíram R$ 46.000 (os R$ 10.000 iniciais mais 180 × R$ 200), de modo que R$ 28.594,83 são juros puros e o multiplicador que a calculadora exibe é 7,46. Com juros simples, na mesma taxa, você pararia em R$ 53.500: a capitalização acrescenta aqui 39,4% a mais.
A subida é progressiva, e é por isso que o efeito custa a aparecer. O primeiro ano rende só R$ 567,39 de juros e o saldo fecha em R$ 12.967,39. O quinto ano já rende R$ 1.222,87, com saldo de R$ 26.434,80. A taxa não mudou: mudou o valor sobre o qual ela incide. Abra a tabela ano a ano acima para acompanhar essa progressão durante todo o prazo que você digitou.
O que significa cada termo da fórmula
Todos os números desta página saem de uma única equação, a fórmula padrão da capitalização periódica:
A = P(1 + r/n)nt
- P — o capital inicial. A quantia com que você começa. É a semente que multiplica todo o resto da fórmula.
- r — a taxa anual, escrita em decimal. Uma taxa anunciada de 7% entra na conta como 0,07, nunca como 7. Esquecer de dividir por 100 é, de longe, o erro mais comum em cálculo de juros compostos.
- n — o número de capitalizações por ano. 1 para a capitalização anual, 2 para a semestral, 4 para a trimestral, 12 para a mensal e 365 para a diária. Indica de quanto em quanto tempo os juros voltam para o saldo e começam eles próprios a render.
- t — o prazo em anos durante o qual o dinheiro fica rendendo.
- A — o montante final: o capital de partida mais cada real de juros acumulado.
O mecanismo tem duas peças. O fator de crescimento de cada período, (1 + r/n), diz por quanto o saldo é multiplicado a cada passo; o expoente nt é o número total desses passos. Como o fator é aplicado de novo e de novo, os juros creditados em um período entram na base do período seguinte: essa realimentação é o que torna o crescimento exponencial em vez de linear. Quando você acrescenta um aporte fixo C a cada período, a ferramenta soma por cima o valor futuro de uma série uniforme postecipada, C × ((1 + r/n)nt − 1) ÷ (r/n), que junta o crescimento capitalizado de cada aporte separadamente.
Quanto a frequência de capitalização muda o resultado?
Mantenha fixos a taxa, o capital e o prazo e aumente só o n: o montante sobe, mas cada vez menos, chegando perto de um teto que ele não consegue ultrapassar. Aqui estão R$ 10.000 a 7% ao ano durante 10 anos, capitalizados em frequências diferentes:
| Capitalização | Montante final |
|---|---|
| Anual (n = 1) | R$ 19.671,51 |
| Trimestral (n = 4) | R$ 20.015,97 |
| Mensal (n = 12) | R$ 20.096,61 |
| Diária (n = 365) | R$ 20.136,18 |
| Contínua (n → ∞) | R$ 20.137,53 |
Sair da capitalização anual para a mensal rende cerca de R$ 425; levá-la da diária até o limite teórico da capitalização contínua acrescenta apenas R$ 1,35. A frequência ajuda, mas a vantagem se esgota muito rápido. O efeito cresce com taxas altas e prazos longos, e é por isso que uma aplicação que se gaba de “render todo dia” entrega só um fio a mais do que outra capitalizada uma vez por mês na mesma taxa anunciada.
A capitalização contínua e o número e
Leve a frequência ao extremo lógico — capitalizar não a cada dia nem a cada hora, mas a cada instante — e a fórmula se reduz a algo bem mais simples:
A = P·ert
Aqui e é o número de Euler, a constante matemática que vale aproximadamente 2,71828. É exatamente o valor para o qual (1 + 1/n)n tende quando n cresce sem limite, e por isso ele aparece justamente no instante em que a capitalização se torna contínua. Não é uma coincidência das finanças: é a própria história de como essa constante nasceu. Em 1683, o matemático suíço Jacob Bernoulli estudava precisamente esta pergunta: se uma conta pagasse 100% de juros por ano, quanto a mais se ganharia capitalizando cada vez mais vezes? Ele calculou que, com capitalização trimestral, R$ 1 vira cerca de R$ 2,44, e com a mensal cerca de R$ 2,61, e demonstrou que a sequência é limitada: por mais fino que se pique o ano, o resultado para em algum ponto entre 2 e 3. Esse teto é e ≈ 2,718281828, e a análise de Bernoulli costuma ser considerada a primeira vez que um número foi definido como o limite de uma expressão. Uma constante que hoje aparece em todo lugar, do cálculo à física, foi encurralada por alguém que perseguia a borda extrema dos juros compostos.
A regra de 72 é confiável? (e 70, 114 e 144)
A regra de 72 é um atalho mental para o tempo de duplicação: divida 72 pela taxa de juros escrita como porcentagem inteira e o resultado diz, mais ou menos, quantos anos o capital leva para dobrar. A 8% são 72 ÷ 8 = 9 anos; a 6%, 12 anos. O atalho tem séculos: o frade toscano Luca Pacioli o descreveu na sua Summa de arithmetica, impressa em Veneza em 1494, muito antes de alguém saber explicar por que ele funciona.
A resposta exata vem dos logaritmos. O capital dobra quando o fator de crescimento chega a 2, então o tempo de duplicação preciso é ln(2) ÷ ln(1 + r). Para as taxas pequenas comuns em finanças vale ln(1 + r) ≈ r, e o tempo de duplicação fica em torno de ln(2) ÷ r. Como ln(2) ≈ 0,693, o numerador matematicamente honesto gira em torno de 69,3 (há quem arredonde para 70, prático nas contas de inflação e de população porque as divisões saem limpas). Por que 72, então? Porque 72 se resolve melhor de cabeça — divide exato por 1, 2, 3, 4, 6, 8, 9 e 12 — e porque, por feliz coincidência, é mais preciso justamente na faixa de 6% a 10%. A tabela abaixo mostra o quanto a regra aproximada chega perto da resposta real, com capitalização anual:
| Taxa | Regra de 72 | Valor exato (anual) |
|---|---|---|
| 2% | 36,0 anos | 35,0 anos |
| 4% | 18,0 anos | 17,7 anos |
| 6% | 12,0 anos | 11,9 anos |
| 8% | 9,0 anos | 9,0 anos |
| 10% | 7,2 anos | 7,3 anos |
| 12% | 6,0 anos | 6,1 anos |
O mesmo truque serve para metas mais ambiciosas. Para estimar o tempo de triplicação, divida 114 pela taxa (o valor exato é ln(3) × 100 ≈ 109,9, arredondado para cima para a divisão continuar fácil); para quadruplicar, use 144 (de ln(4) × 100 ≈ 138,6). Com capitalização contínua, troque o 72 por 69,3, que aí já não é aproximação e sim o valor exato.
Qual taxa digitar: CDI, poupança, Tesouro Selic e CDB
A pergunta que trava a maioria das simulações não é a fórmula, é o número que vai no campo “Taxa anual”. A resposta honesta é uma só: digite a taxa que está em vigor hoje na aplicação que você está avaliando, não uma média histórica nem um número visto num vídeo do ano passado. No Brasil os juros mudam de patamar com frequência. Vale entender de onde vem cada uma:
- Selic. A taxa básica definida pelo Copom. Ela não é onde você aplica, mas é o eixo em torno do qual quase todo o resto gira.
- CDI. A taxa dos empréstimos de curtíssimo prazo entre bancos. Anda praticamente colada na Selic, um pouquinho abaixo, e é a régua com que a renda fixa privada se compara.
- Tesouro Selic. Título público pós-fixado que acompanha a Selic dia a dia. É o piso natural de comparação para dinheiro de reserva.
- CDB. Costuma ser anunciado como percentual do CDI — “100% do CDI”, “110% do CDI”. Para digitar aqui, converta: 110% de um CDI de 10% ao ano dá 11% ao ano.
- Poupança. Segue uma regra fixa em lei desde 2012: com a Selic acima de 8,5% ao ano, ela rende 0,5% ao mês mais TR; com a Selic igual ou abaixo disso, rende 70% da Selic mais TR. Aqueles 0,5% ao mês, capitalizados, equivalem a 6,1678% ao ano — e é justamente por a poupança ter teto que ela costuma perder para o CDI quando os juros sobem.
Falta ainda o imposto, que muda o resultado mais do que a frequência de capitalização. Em CDB, Tesouro Direto e na maior parte da renda fixa, o Imposto de Renda incide só sobre o ganho, na saída, com alíquota regressiva: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Poupança, LCI e LCA são isentas para pessoa física. Um exemplo fecha a ideia: R$ 10.000 aplicados a 10% ao ano por 3 anos viram R$ 13.310 brutos; o ganho de R$ 3.310 paga 15% de IR, ou R$ 496,50, e sobram R$ 12.813,50 — o equivalente a 8,61% ao ano líquidos, não 10%. Se quiser simular o resultado depois do imposto, digite a taxa líquida no campo acima. E lembre que resgates com menos de 30 dias ainda pegam IOF regressivo por cima.
Qual é a diferença real entre juros simples e compostos?
Os juros simples incidem só sobre o capital de partida: todo ano você ganha a mesma quantia e o saldo sobe em linha reta. Os juros compostos incidem sobre o capital e sobre os juros já ganhos, então o saldo curva para cima e acelera. Em prazos curtos os dois resultados se parecem bastante; em prazos longos eles se separam de forma escandalosa. Veja R$ 10.000 a 6% ao ano, simples contra composto anual:
| Anos | Juros simples | Juros compostos |
|---|---|---|
| 5 | R$ 13.000 | R$ 13.382 |
| 10 | R$ 16.000 | R$ 17.908 |
| 20 | R$ 22.000 | R$ 32.071 |
| 30 | R$ 28.000 | R$ 57.435 |
| 40 | R$ 34.000 | R$ 102.857 |
Aos 40 anos o saldo capitalizado vale cerca de três vezes o resultado dos juros simples, com o mesmo depósito e a mesma taxa: toda a diferença são juros que produziram mais juros. É o motor do valor do dinheiro no tempo — um real hoje vale mais que um real amanhã justamente porque no meio do caminho ele pode ficar rendendo. E é também a razão pela qual começar cedo pesa mais do que aportar muito. Um depósito único de R$ 10.000 deixado render a 7% ao ano por 40 anos chega a cerca de R$ 149.745, enquanto esses mesmos R$ 10.000 aplicados “apenas” 30 anos param em cerca de R$ 76.123: pouco mais da metade, com depósito idêntico, só porque a primeira versão teve dez anos a mais de capitalização. (São ilustrações matemáticas, não previsões nem recomendação de investimento: a rentabilidade real varia e nunca é garantida.)
Taxa nominal e taxa efetiva: qual delas comparar?
Duas aplicações podem anunciar a mesma taxa na vitrine e render valores diferentes, porque a taxa anunciada costuma ignorar a frequência de capitalização. A taxa nominal é a taxa informada antes de considerar quantas vezes os juros são capitalizados. A taxa efetiva incorpora a capitalização e é o único número que permite comparar duas propostas em pé de igualdade. A conversão se escreve assim: taxa efetiva = (1 + r/n)n − 1. Uma taxa nominal de 12% ao ano capitalizada mensalmente equivale a uma efetiva de 12,68% ao ano — a diferença é o famoso “juros sobre juros”. No crédito, quem cumpre esse papel é o CET (Custo Efetivo Total), que além da taxa inclui tarifas, seguros e tributos e precisa ser informado ao cliente pessoa física antes da contratação. Os tribunais tratam a distinção com a mesma seriedade: a Súmula 541 do STJ reconhece que, quando o contrato bancário traz uma taxa anual maior que doze vezes a mensal, a capitalização está ali pactuada de forma suficiente para ser cobrada.
Uma ideia surpreendentemente antiga
Juros compostos não são invenção moderna: são um dos pedaços de matemática aplicada mais antigos de que se tem registro. Os escribas babilônios formulavam e resolviam problemas de juros sobre juros em tabuletas de argila já no período paleobabilônico, aproximadamente entre 2000 e 1700 a.C.; a expressão acádia şibāt şibtim significa literalmente “juros dos juros”. O Código de Hamurabi, gravado por volta de 1750 a.C., já regulava empréstimos e impunha teto aos juros: 20% ao ano nos empréstimos em prata e 33⅓% nos de cevada.
A reputação da prática nem sempre foi boa. Cobrar juros sobre juros já vencidos — o que historicamente se chamou anatocismo — era condenado pelo direito romano e contado entre as piores formas de usura. O eco chega até o direito brasileiro de hoje: o artigo 4º do Decreto nº 22.626/1933, a Lei de Usura, proíbe contar juros dos juros, e a Súmula 121 do STF firmou que a capitalização é vedada ainda que expressamente convencionada. A exceção veio depois, para o sistema financeiro: a Medida Provisória 2.170-36/2001 autorizou a capitalização em periodicidade inferior a um ano nos contratos com instituições financeiras, e a Súmula 539 do STJ consolidou que ela é permitida nesses contratos celebrados a partir de 31 de março de 2000, desde que expressamente pactuada. Na prática, é por isso que o seu financiamento capitaliza mensalmente e o empréstimo entre dois particulares, não. A primeira obra em inglês dedicada inteiramente ao assunto veio bem mais tarde: Arithmeticall Questions, de Richard Witt, de 1613, com cerca de 124 exemplos resolvidos e tabelas montadas em torno do teto legal de 10% da época. Manuais de mercadores anteriores já traziam tabelas de juros compostos — o do florentino Francesco Balducci Pegolotti, por volta de 1340, é o mais conhecido —, mas o de Witt foi o primeiro livro inteiro sobre a questão.
Einstein disse mesmo que era a oitava maravilha?
Quase todo mundo já viu a frase: “Os juros compostos são a oitava maravilha do mundo. Quem entende, ganha; quem não entende, paga”, atribuída com muita segurança a Albert Einstein. Fica ótima num pôster. Só tem um problema: não existe nenhuma prova confiável de que Einstein tenha dito ou escrito isso alguma vez. Os pesquisadores do Quote Investigator e de outras fontes seguiram o rastro e não acharam nenhuma fonte da época: nenhuma carta, nenhuma entrevista, nada que amarre a frase a ele. A citação só começa a aparecer impressa por volta de 1983, quase três décadas depois da morte de Einstein, em 1955. O rótulo de “oitava maravilha” já era pendurado nos juros compostos por publicitários em um anúncio bancário de 1925, sem nome famoso nenhum atrás; com o tempo ele foi simplesmente atribuído a Einstein, e às vezes a financistas como os Rothschild ou Rockefeller, para soar com mais autoridade.
Registramos isso porque a exatidão importa mais do que uma citação redonda: quem merece o espanto são os números, não um aval famoso atribuído por engano.
Quando os juros compostos jogam contra você
A capitalização não escolhe lado: ela faz crescer tudo aquilo em que é aplicada, inclusive dívida. É aqui que o brasileiro conhece os juros compostos antes de conhecer o investimento. No rotativo do cartão de crédito, uma taxa de 15% ao mês — patamar nada exótico nesse produto — vira 435,03% ao ano quando você compõe os doze meses, e o saldo não pago é recarregado de juros todo mês, de modo que no mês seguinte eles incidem também sobre os juros. A mesma curva exponencial que constrói uma aposentadoria pode enterrar quem paga só o mínimo da fatura. Desde 2024, a Lei 14.690/2023 impôs um limite a esse produto: o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não pode ultrapassar o valor original da dívida. No cheque especial, o Conselho Monetário Nacional já havia fixado teto de 8% ao mês em 2019 — que, capitalizado, ainda dá 151,82% ao ano. Nenhum dos dois é lugar para deixar saldo parado.
A inflação se entende melhor como uma capitalização ao contrário: ela corrói o poder de compra do dinheiro em ritmo composto. Com uma inflação estável de 3% ao ano, a regra de 72 diz que os preços dobram — e o poder de compra cai pela metade — em cerca de 24 anos (72 ÷ 3; o valor exato é 23,4). Por isso uma rentabilidade “segura” que apenas empata com a inflação não deixa você em situação melhor em termos reais, e por isso quem poupa a longo prazo olha a taxa real, já descontada a inflação, e não só a nominal. Do lado construtivo, reinvestir o que se recebe — dividendos que voltam para dentro, juros que não são gastos — é exatamente o que mantém o motor ligado: se os juros são gastos conforme chegam, o crescimento composto volta silenciosamente a ser simples.
Erros frequentes ao calcular juros compostos
- Confundir taxa nominal com taxa efetiva. Comparar uma taxa “capitalizada ao mês” com outra “ao ano” sem converter é comparar duas coisas diferentes.
- Ignorar a frequência de capitalização. A mesma taxa nominal, capitalizada todo dia ou uma vez por ano, não dá o mesmo total: pouco no começo, muito ao longo de décadas.
- Esperar crescimento linear. Os resultados de longo prazo são sistematicamente subestimados, porque a intuição prolonga uma reta onde a capitalização curva para cima.
- Esquecer taxas, imposto e inflação. A rentabilidade da vitrine é bruta; o que de fato capitaliza é o que sobra depois das tarifas, depois do Imposto de Renda e, em termos reais, depois da inflação.
- Digitar a taxa errada. Usar 7 em vez de 0,07, misturar taxa ao mês com taxa ao ano, ou não casar o número de períodos com a frequência de capitalização, joga o resultado várias ordens de grandeza fora.
- Tomar uma projeção por promessa. Um modelo de juros compostos supõe uma taxa fixa para sempre; na vida real as taxas se mexem, então o resultado serve para entender o mecanismo, não para anunciar um saldo garantido.
Perguntas frequentes
O que são juros compostos?
São os juros calculados tanto sobre o capital inicial quanto sobre os juros já gerados nos períodos anteriores. Com juros simples só o capital de partida trabalha e o saldo sobe em linha reta; com juros compostos cada real de juros fica dentro da aplicação e passa a render por conta própria, então a curva se dobra para cima e acelera com o tempo.
Como calcular juros compostos?
A = P(1 + r/n)^(nt), onde P é o capital inicial, r a taxa anual em forma decimal (7% se escreve 0,07), n o número de capitalizações por ano e t o prazo em anos. Se você ainda faz um aporte fixo C a cada período, soma-se o valor futuro dessa série de aportes: C × ((1 + r/n)^(nt) − 1) ÷ (r/n).
O que é a regra de 72?
Divida 72 pela taxa anual escrita como porcentagem inteira e você obtém, de cabeça, os anos que o capital leva para dobrar. Com 7% ao ano o dinheiro dobra em cerca de 72 ÷ 7 ≈ 10,3 anos, contra os 10,2 anos do cálculo exato com capitalização anual. É um atalho mental cômodo para comparar duas aplicações sem calculadora.
Quanto pesa a frequência de capitalização?
Menos do que parece. R$ 10.000 a 7% ao ano durante 10 anos viram R$ 19.671,51 com capitalização anual, R$ 20.096,61 com mensal e R$ 20.136,18 com diária. Passar de anual para mensal acrescenta cerca de R$ 425; levar a frequência da diária até o limite teórico da capitalização contínua não soma nem R$ 2. A diferença pesa mais com taxas altas e prazos longos.
Que taxa anual é realista no Brasil?
Depende inteiramente da aplicação. O Tesouro Selic acompanha a Selic dia a dia; os CDBs são anunciados como percentual do CDI, que anda colado na Selic; a poupança tem regra própria em lei e rende 0,5% ao mês mais TR enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, o equivalente a 6,1678% ao ano. Digite sempre a taxa realmente em vigor no dia da simulação e desconte o Imposto de Renda, que vai de 22,5% a 15% conforme o prazo.
O que muda se eu fizer um aporte mensal?
Muita coisa. Aportar R$ 200 por mês a 7% durante 30 anos significa tirar R$ 72.000 do bolso, mas o montante chega perto de R$ 244.000: os cerca de R$ 172.000 restantes são juros. No longo prazo, a constância do aporte e a data em que você começa pesam mais do que o valor de cada aporte.